sábado, 1 de dezembro de 2012

Os sabores preferidos dos Nkissis

Uma tarde repleta de sabores! Assim foi a 4ª roda de Conversa com Mãe Ilza Mukalê, neste sábado, no Terreiro de Matamba. O tema "A makuria (comida) dos Nkissis (orixás)", aguçou o paladar dos que estavam presentes e levantou curiosidades sobre os "quitutes". 

Como afirmou Marinho Rodrigues, filho de Mãe Ilza que fez a fala inicial, "muitas comidas já fazem parte do cotidiano do brasileiro". Ao ouvir a líder religiosa, pôde-se ver a diversidade dos elementos da cultura negra, desta vez, pautada na peculiaridade das preferências de cada Nkissi, como é o preparo, os cuidados, as exigências.

Mãe Ilza falou sobre as comidas de cada Nkissi, a exemplo dos citados a seguir: "Quando vamos trocar anualmente a bandeira do Terreiro (todo dia 10 de agosto), por ser no dia do Nkissi Tempo, que é o Rei da Nação Angola, oferecemos a ele seu amalá e tem, por exemplo, frango, farofa, carneiro... as pessoas que participam da festa devem comer andando e fazendo os seus pedidos. Já Lembá (Oxalá) gosta de comida branca; Matamba (Iansã) gosta de caruru, que tem o jeito certo de cortar - em formato de raio e não redondo - ela gosta também de acará (acarajé), de maçã vermelha...; Dandaluanda (Oxum), a Nkissi das questões amorosas, gosta de feijão fradinho (Makundê), pato (vapuru)... ; Kaiá (Iemanjá), cuja cor é azul e que mora no Kalunga Grande (mar), gosta de cabra branca, pata, uva roxa, banana d'água, mas não gosta de dendê, assim como outros Nkissis. Odoiá! É a sua saudação", explicou ela.

Sobre os caboclos, Mãe Ilza lembra que eles são os "puxa folha" da casa, gostam, por exemplo, do que é da terra, como jerimum, inhame, batata, aipim, caças... 

No final da reunião, para saciar a fome que a roda de conversa causou, foi servido para os participantes um delicioso xerém, à moda e tempero da casa!

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Pausa para a foto - com xerém!

Mostrando a brincadeira das crianças


Ascom: Tacila Mendes


Qual o significado dessa palavra?

"A linguagem Bantu no Terreiro de Matamba" foi o tema do 3º encontro com Mãe Ilza Mukalê, nesta sexta. Ali ela decifrou algumas palavras utilizadas ao longo das cerimônias, rituais e no dia-a-dia da família Rodrigues. Com mediação de Romualdo Lisboa, Mãe Ilza, que goza de plena saúde aos 78 anos, começou a roda de conversa muito à vontade, além de dançar nos momentos de intervenção da Orquestra do Terreiro, esclarecendo sempre o porquê de cada zuela (canto) e dança.

"Aqui no Terreiro, as "macotas", são como secretárias (...) tem também os Tatas Kambondo, que são os homens que tocam, como os meninos da Orquestra do Terreiro (...) a amazi (água) usamos também com os amalás (comida para os Nkissis) (...) Agradecemos ao nosso Zazi (Xangô) e a Lembá (Oxalá)", e por aí foi Mãe Ilza, nos ensinando a linguagem e nos permitindo uma proximidade um pouco maior com o ambiente do Terreiro.

Mãe Ilza também lembrou-se com carinho do seu amado e respeitado Kavungo, Nkissi que a protegeu quando ela fez uma cirurgia. Ela contou sua experiência espiritual no processo de preparação para a operação.

Além dos multiplicadores inscritos, também esteve presente o cineasta Póla Ribeiro (Jardim das Folhas Sagradas), que saiu embevecido do encontro com Mãe Ilza Mukalê. 

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Com Póla Ribeiro
Ascom: Tacila Mendes